segunda-feira, janeiro 23, 2017

“As empresas, em reorganização, deviam ser geridas por estrangeiros”

Resultado de imagem para Peter HillÉ a primeira grande entrevista em que ‘abre o jogo’ abertamente sobre os processos críticos que herdou na gestão da TAAG. Peter Hill, britânico de nacionalidade, é um consultor internacional de empresas de aeronáuticas, com especialidade em ´start-ups’ aéreos e ‘rebranding’. No seu longo ‘currículo aéreo’, constam os cargos de PCA das linhas aéreas de Oman, (2008-2011), Sri Lankan Airlines (1999-2008), além de várias consultorias prestadas a FlyDubai, GM Commercial. É membro fundador da Emirates, a companhia que o trouxe à TAAG. Hill, o britânico que gere a companhia aérea de bandeira angolana desde Setembro do ano passado, explica como desfez negócios “intocáveis” e por que razão apenas um estrangeiro seria capaz de tornar a TAAG numa empresa rentável. Mais ao fim, não deixou de mencionar a meta histórica de médio prazo: elevar as receitas ao nível das despesas da companhia.
Resultado de imagem para rotas da TAAG Já se passaram 12 meses à frente da TAAG. Qual é o balanço possível? É verdade. Foi há15 de Setembro de 2015 que eu e minha equipa, porque somos uma equipa, tomá- mos posse da gestão da TAAG. Entretanto, o plano de negócios que vimos executando, concebido pelo Governo em colaboração com a Emirates, para ser implementado nos próximos 10 anos, foi desenvolvido na primavera de 2014. Nessa altura, o país estava numa situação muito diferente, em relação à situação em que se encontrava em Setembro de 2015, quando tomamos posse, e que se arrasta até agora. Em 2014, o país ainda estava numa plataforma muito positiva. O petróleo ainda estava a vender perto de 100 dólares o barril e a vida era boa. Todo o mundo estava ansioso para mais expansão económica, maior desenvolvimento, mais investimentos, assim por aí. Passou-se um ano e a coisa toda mudou. E foi nessa altura em que assumimos a gestão da TAAG. Acho que não se poderia ter escolhido uma turbulência pior para assumir o comando.
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Em que estado encontrou a empresa? A empresa atravessa por um período de grande expansão. Novas aeronaves, novos equipamentos, foi removida da lista negra, de modo que novas rotas foram iniciadas e tudo caminhava a bom ritmo. Era assim há vários anos. Quando começámos a olhar para os livros, para o modo como a forma de gestão como foi concebida, tenho de dizer que foi uma confusão. Não necessariamente por culpa de alguém em particular, mas apenas porque estava fora de controlo. Por isso, tivemos de segurar e estabilizar o navio. Tivemos de analisar as contas, a organização e, basicamente, remodelá-la para tentar adequa-la ao que esperávamos que viesse a tornar-se uma empresa sólida. É o que temos vindo a fazer desde então. Houve uma atenção especial à questão financeira, certamente. Reformulámos completamente a situação financeira da empresa. Agora podemos dizer, com segurança, que sabemos exactamente quem somos e que dinheiro devemos. Sabemos o que está no banco e sabemos para onde estamos a ir, em termos do nosso desempenho financeiro. Sabemos o que temos de aprovisionar, à medida que vamos para frente. É um quadro muito diferente do que herdamos. Agora recebo um extracto mensal das contas, verdadeiras e factuais. Estou muito confiante em que o Governo está muito feliz com isso, os nossos credores também, e, certamente, a equipa de gestão está confortável com isso.
Resultado de imagem para Peter Hill TAAGSentiu necessidade de manter algumas práticas anteriores, já que se trata de um negócio do Estado e que, por isso, encerra outras preocupações de cariz social, por exemplo? Relativamente à organização, nós tivemos de racionalizá-la. Reconhecemos que isto é um negócio do Estado, logo há pressupostos a manter. Há muitos trabalhadores na organização que não estão necessariamente nas posições adequadas. Temos de reconhecer isso e tomar as medidas adequadas para tentar ou retreiná-las ou mudá-las para outras áreas. São pessoas, digamos, complicadas. Não por culpa delas, mas, se calhar, por culpa da gestão anterior. De qualquer forma, não despedimos ninguém. A única coisa que fizemos, em termos de redução da força de trabalho, foi olhar para todas as pessoas que estão acima da idade de aposentadoria e certificar-se de que elas se aposentassem. Nem todo o mundo quer reforma, mas eu tenho a obrigação de criar espaço para as pessoas novas entrarem.Os mais jovens precisam de ser promovidos, é sua prerrogativa, seu direito e temos a certeza de que é possível.
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Como primeiro PCA não-angolano, na história da TAAG, enfrentou resistência por esse facto? Ou terá sido pelas reformas que aplicou? Esta não é a primeira vez que assumo um cargo, como estrangeiro. Estive em Omã, no Sri Lanka e fiz parte da equipa que fundou a Emirates. Logo, isso não é novo para mim e não o é para a maioria da minha equipa também. Em termos de TAAG, isso foi completamente novo. O pessoal ficou realmente um pouco preocupado que isso tenha ocorrido. Tive conversas com ministros e vários funcionários do Governo. É muito mais fácil para um estrangeiro chegar a uma empresa aérea, como a TAAG, e implementar políticas que realmente têm efeitos benéficos sobre o negócio. Elas podem até perturbar as pessoas em Angola, mas a pessoa encarregada de as realizar, no caso eu, não tem qualquer pressão que não seja a pressão de ser o CEO da empresa.
Resultado de imagem para Peter Hill TAAGDeve depreender-se que a TAAG não avançaria com angolanos à frente? Pelas razões que referi, é mais fácil para mim implementar a mudança, do que seria para um angolano. Porque o angolano seria pressionado por todos os tipos de pessoas e interesses externos. Quanto a mim, eu realmente tive a vida facilitada. Quando se coloca algum tipo de pressão de alguém do Governo para fazer determinada coisa, respondo: eu tenho um mandato do Presidente, que me diz que isso tem de acontecer como um negó- cio. Eu simplesmente indico isso, quando alguém me desafia, inquirindo por que faço isso ou aquilo. Quando lhes digo isso, eles recuam. E eu acho que isso é benéfico. Se quem estivesse sentado na minha cadeira fosse um angolano, acho que seria muito mais difícil para ele. Mesmo para mim, não é simples, mas eu não tenho essa pressão. Por isso, acho que empresas como esta, quando se estão a reorganizar, devem talvez trazer um estrangeiro por um período de tempo, apenas para assentar as coisas, nivelar a empresa, colocá-la num melhor curso, e depois devolvê-la a um angolano qualificado, para assumir o comando. Recentemente, disse à imprensa que a TAAG conseguiu poupanças de 70 milhões de dólares em um ano.
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Que despesas teve de cortar? Os 70 milhões de dólares é o montante que conseguimos economizar desde a nossa chegada. Na realidade, no total são 120 milhões de dólares, porque há ainda os 50 milhões de dólares que tivemos de aprovisionar para as contas deste ano e do ano anterior.
Como fizeram isso? Tivemos de passar pente a tudo. Analisámos os contratos e a forma como estes foram concebidos. Será que precisamos de todos eles? Tínhamos contratos de consultoria em quase todas as áreas da nossa actividade. E eu perguntava-me: se eu tenho um gestor aqui que deve desempenhar a sua função, por que razão tenho um consultor sentado ao lado dele a fazer o mesmo trabalho? Ou o gestor faz o trabalho ou o consultor! Não preciso de duas pessoas para o mesmo trabalho. 
Resultado de imagem para rotas da TAAGEra assim em toda a empresa. Por isso, tivemos uma grande racionalização em ambas as áreas. Ou dispensámos o consultor, o que foi invariavelmente o caso, ou dissemos ao gestor: se não é capaz de fazer, sinto muito, vamos ficar com o consultor até ao momento em que podermos colocar o nosso próprio funcionário e aí o consultor sair. Por conta disso, nesse momento, temos muito poucos consultores. Na verdade, a empresa gastava muito dinheiro com consultores, estamos a falar em milhões de dólares. Esse processo começou no topo e estendeu-se a todas as áreas: operações, finanças, tecnologias de informação, etc. Não conseguia acreditar na quantidade de consultores que trabalhavam para esta empresa. Essa foi a primeira coisa.
Resultado de imagem para Peter Hill TAAG Houve mais? Sim, os contratos com os fornecedores. Tínhamos todo o tipo de fornecedores, poucos bons, alguns não tão-bons e outros ainda inacreditáveis (risos..). Uso essa palavra “inacreditável” e deixo-o pensar o que pensar. Reavaliámos todos esses fornecedores, renegociámos tudo, até mesmo os bons. Novamente, houve milhões que foram poupados. A TAAG é relativamente uma pequena companhia aérea, mas há muitos anos que comprava coisas de que realmente não precisava. Temos grandes excedentes de equipamentos em todas as áreas. Estamos a tentar dispor de excessos, onde podemos, pelo menos as coisas de que não precisamos. Alguns desses módulos temos de viver com eles, outros tentamos eliminar. Não é uma tarefa fácil, mas estamos a tentar remover todos os processos duplicados e os processos excedentes que existiam. No fundo, analisámos os processos e emagrecemo-los. Assim, a gestão, de certa forma, ficou muito mais simplificada. 
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Hoje, o pessoal vê o que é, enquanto, antes, tínhamos tantos processos na empresa, que era difícil saber o que era válido e o que não era. A redução dos processos permitiu-nos também encontrar maneiras de fazer com que muitas pessoas executassem diferentes tarefas muito melhor do que eram capazes antes. Deixou de fazer sentido, por isso, a quantidade de consultores que forneciam informações que não eram usadas. Foi-me dito, entretanto, que eliminar alguns desses contratos não seria fácil.
Por que razão lhe disseram isso? Porque havia muitas empresas locais, agentes locais, todo o tipo de pessoas envolvido por trás desses processos, desses contratos. Eu respondia ‘ok’, mas o meu mandato é para cortar custos, sempre que for possível e é o que venho fazendo. E isso foi apenas uma vez, em todos esses processos, que me foi dito que havia processos intocáveis. A realidade é que as pessoas que me disseram que se oporiam, não se opuseram. E, no fim de contas, fomos capazes de sanear muita coisa, o que produziu enormes poupanças.
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Voltando à questão dos recursos humanos. Admite a possibilidade de baixar salários? Não necessariamente. Apenas racionalizar o trabalho, olhando para a taxa de trabalho no mercado actual. Muitas empresas estão a fazer isso agora. Quando não se está a ganhar tanto dinheiro quanto antes, tem de se certificar que a força de trabalho seja acessível. Se não for acessível, então tem de se fazer algo. Podemos ter de encontrar um mecanismo de oferecer um esquema de afastamento voluntário. Dessa forma, podemos ter de oferecer às pessoas um pacote de pagamento que vai encorajá- -lo a pensar se quer ficar ou partir. Quem partisse seria devidamente compensado. Esta empresa já fez isso antes, certas posições foram eliminadas, mas depois foram recrutadas novamente. Não é muito inteligente fazer isso.
Resultado de imagem para rotas da TAAGSobre as rotas da TAAG, fala-se em algumas não rentáveis. Considera fazer cortes? Há certas rotas que não têm sido rentáveis quanto gostaríamos que fossem. O voo para Cabo verde, por exemplo, leva 5,5 horas no meio do oceano Atlântico. É uma rota muito cara, pois custa-nos 2,5 milhões de dólares por ano, para transportar apenas, em média, 20 pessoas por voo. O 737 faz ida-e-volta com a carga toda. Falando claramente, não podemos dar-nos a esse luxo. Então, Cabo Verde vai sair da programação. 
Claro, que se o Governo nos disser: “queremos que mantenha o voo e estamos preparados para subsidiá-lo”, nós aceitaremos. Se o governo de Cabo Verde disser: “vamos dar-vos concessões, reduzir as taxas de aterragem, o custo do combustível, etc, etc, se chegarmos a algum tipo de assistência, vamos continuar a rota como um serviço público. Mas, até lá, as pessoas que me desculpem, a empresa tem de ganhar dinheiro.
Resultado de imagem para Peter Hill TAAGE voos domésticos são rentáveis? Não sei. Têm o seu custo, digamos assim. Estamos a operar uma abrangente rede de voos domésticos, melhoramos um pouco nos horários. Alguns desses voos têm ligação com as rotas que deixam Luanda para outros destinos, como Lisboa. Lisboa é muito popular na nossa rede, por isso é útil que alguns desses voos conectem, para que possam fornecer mais ligações a Lisboa e Porto e vice-versa. Realmente, tivemos de analisar a programação nacional e internacional e é curioso notar que, se olharmos para as rotas internacionais, o que acontecia era que os voos são Angola para outros lugares, e de outros lugares para Angola. Não é esse o potencial de Luanda. Luanda é um ponto importante e estratégico para os serviços aéreos ao sul do Sahara e precisamos aproveitar isso. Por outras palavras, precisamos trazer os voos provenientes da América do Sul, Europa, China, que liguem Luanda a outros pontos em África, de modo a que pessoas viagem de uns destinos para outros e possam usar os nossos voos para isso. Isso é algo que nunca foi feito antes.
Porquê? Primariamente, é preciso ter um visto para transitar por Angola. Quando chegámos aqui, reunimo-nos com oficiais do departamento de migrações, altos funcionários ministeriais e dissemos-lhes: “olhem, Luanda é uma potencial placa giratória, não precisam pedir vistos a quem entra em Angola”. E eles concordaram e estão a eliminar a maior parte dos vistos de trânsito para as pessoas que apanham voos de ligação dentro de 24 horas, e os resultados do sucesso já são significativos. Embora o mercado angolano não cresça de momento, estamos a conseguir trazer os clientes dos mercados ao redor, o que aumenta a nossa carga dentro e para fora de Angola em voos internacionais. Por exemplo, quando, em Março ou Abril, começámos a ligar Joanesburgo e Cidade do Cabo, para os nossos voos para Lisboa e Porto, tínhamos 6,7 passageiros. Seis meses depois, estamos receber entre 80 e 90 passageiros que vêm através daqueles destinos que conectam com o nosso voo para Lisboa e Porto. Neste inverno, ligaremos para o nosso voo para o Brasil, Havana e talvez Dubai. São essas coisas que irão aumentar o nosso negócio daqui para frente. E isso permitiu-nos manter voos diários duplos para Portugal todo o tempo, mesmo no Inverno, quando, no passado, teríamos de reduzir o número de frequências nessa altura, por falta de demanda.

Resultado de imagem para Peter Hill TAAGOnde vê a TAAG chegar sob o seu comando? A Emirates tem um contrato de gestão de 10 anos aqui. Eu, provavelmente, vou estar aqui por mais dois anos, mais ou menos. Até agora, financeiramente esperamos, pelo menos, atingir o ‘breakeven’ no momento em que sair. Isso é um grande passo, porque esta empresa nunca o fez ao longo da sua história. 
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Em segundo lugar, queremos construir a marca para que as pessoas olham para a TAAG como uma das transportadora aéreas líderes em África. Esse é o objectivo. Se vamos ser capazes de o alcançar, vamos ver... De qualquer forma, vou recebendo declarações positivas de muitos dos nossos clientes regulares que estão a notar diferenças. Os voos são muito mais pontuais do que eram no passado. O interior da aeronave é muito mais limpo, muito melhor do que eram. O serviço de chão começou a funcionar melhor. Não é o ideal, porque não estamos a operar num aeroporto ideal. É um muito congestionado aeroporto, lotado. Mas tentamos melhorar os processos que controlamos tanto quanto podemos. O que gostaria de ver em três anos é as pessoas dizerem: “Há aí o voo da TAAG? eu vou com a TAAG”, enquanto, no passado, era: “TAAG? que outra companhia também vai?” (Por Cândido Mendes) 

Oficialmente esquecida

Resultado de imagem para Igreja de Cristo Unida moçambiqueNo passado chamou-se American Board, mas hoje leva o nome de Igreja de Cristo Unida em Moçambique. Poucos, sobretudo as novas gerações, ouviram falar dela, mas nem por isso foi menos preponderante no movimento nacionalista moçambicano. Tal como a glorificada igreja presbiteriana, ligada à elite da Frelimo do sul de Moçambique com Eduardo Mondlane como dos principais rostos, a ex-American Board, associada pelo regime dominante a “perigosos reaccionários” oriundos do centro de Moçambique, como Nkamba e Uria Simango, foi determinante na luta contra a opressão portuguesa, o que lhe custou perseguição por um sistema colonial intolerante para com as chamadas igrejas protestantes. Nós, no SAVANA, fomos revisitar a história, ouvimos testemunhas vivas e, nas próximas linhas, tentamos contar esse passado sinuoso, de torturas e sangue, que a história oficial, simplesmente, ignora. No seu livro intitulado “Toward African Church in Mozambique”, qualquer coisa como “Rumo à Igreja Africana em Moçambique”, uma obra que traça o percurso da ex-American Board, da América à África do Sul, passando pelo então Império de Gaza até ao Zimbabwe, o historiador americano, Leon Spencer, refere que foi em Julho de 1892 que os primeiros missionários americanos, liderados por Fred Bunker, chegaram à Beira. Tratava-se dos primórdios de uma igreja que só viria a se fixar, oficialmente, em 1905. Com a presbiteriana fortemente presente no sul de Moçambique, a ex- -American Board centrou as atenções na região centro, precisamente, nos antigos distritos de Manica e Sofala, hoje províncias. Num contexto de colonização, para além do evangelho, a igreja alargou a sua acção para a consciencialização das comunidades contra a opressão portuguesa. Com Manica e Sofala, na altura sob domínio da Companhia de Moçambique, que submetia as populações a grandes plantações de açúcar e algodão, a ex-American Board, que nos seus cultos dava ênfase à liberdade dos homens, foi a primeira igreja a denunciar Portugal na então Sociedade das Nações, hoje Nações Unidas, acusando Lisboa de actos de escravatura em Moçambique. Reza a história que, por força da conjuntura do século XIX, marcada pela propagação dos ideais do liberalismo, que preconizava a liberdade do homem, Lisboa declarou, oficialmente, a abolição da escravatura, em 1878. Mas o certo é que Portugal continuava a escravizar os “indígenas” nas suas colónias. Assim, um contundente relatório-denúncia submetido em Nova York pela ex-American Board fez com que o mundo se revoltasse contra Portugal, o que azedou as já tensas relações entre aquele país europeu e a igreja de origem americana. Nem mais: Portugal intensificou a perseguição contra a igreja que chegou a ser banida. Foi mesmo na tentativa de escapar das masmorras do colonialismo que os seus membros decidiram mudar de A ex-American Board e o nacionalismo moçambicano A igreja que a história oficial preteriu Por Armando Nhantumbo designações. Assim, de American Board, em 1905, passa a designar-se, em 1935, como Associação Evangélica Portuguesa; em 1944 como Conselho Intermissionário da Beira; em 1947 como Igreja de Cristo em Moçambique - Ramo Manica e Sofala e só em 1985, depois da independência, é que passou a se designar Igreja de Cristo Unida em Moçambique (Ex-Missão American Board).  No quadro do seu papel no nacionalismo moçambicano, a American Board enviou jovens para se juntarem à Frelimo na Tanzânia, o berço da Luta de Libertação Nacional. Feliciano Gundana, natural 
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de Sofala, que já desempenhou as funções de Adjunto chefe do Departamento de Defesa e Segurança, governador de Inhambane, Zambézia e Nampula, ministro dos Combatentes e da Presidência para Assuntos da Casa Militar, assim como outros crentes, estudou na escola da ex-American Board e foi pela mão desta igreja que rumou à Tanzânia, onde se juntou à Frelimo. Deolinda Guezimane, igualmente antiga combatente e ex-secretária-geral da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), o braço feminino da Frelimo, mais tarde deputada na Assembleia da República e Conselheira de Estado, é também uma das muitas jovens que “cresceu” na ex-American Board, de onde mais tarde seguiu para a Tanzânia. Lucas Chomera, deputado da Frelimo na Assembleia da República, onde preside a Comissão da Administração Pública e Poder Local, foi também um dos vários jovens que hoje a igreja diz terem sido “filhos de casa”. Entretanto, quis o destino que, em Moçambique, a igreja tivesse como precursores “inimigos jurados” da Frelimo. 
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Um deles foi Nkamba Simango, o primeiro moçambicano doutorado nos Estados Unidos da América (EUA), muito antes de Eduardo Mondlane celebrado pela histó- ria oficial como o primeiro doutor em Moçambique. Natural de Machanga, por volta dos anos 1890, Nkamba Simango, descrito na obra de Leon Spencer, investigador e docente de história africana, como um “líder religioso bem treinado”, teve os primeiros laços com a ex- -American Board na Beira e Monte Selinda (em território zimbabweano), mas essa ligação ficou fortalecida nos EUA, onde para além de se formar em Sociologia e Psicologia, ensinou, mais tarde, Chindau no Departamento de Antropologia da Universidade de Columbia, entre vários outros títulos que obteve. Fazendo da religião um instrumento para a liberdade humana, Nkamba Simango já observara, em 1921, que “nos velhos tempos, o homem negro era detido por indivíduos, enquanto hoje é detido por governos e corporações”, defendendo que “devemos agir para libertar estas pessoas” em referência aos escravos. Uma outra geração ligada à ex- -Missão American Board, por sinal a terceira, integrou o Reverendo Uria Simango, que foi, mais tarde, um dos fundadores da Frelimo, partido no qual chegou a ser vice-presidente, co- djuvando Eduardo Mondlane. Tal como Nkamba Simango, Uria teve a sua vida, intrinsecamente, ligada a esta igreja de que pouco se fala. Em “Uria Simango, um homem, uma causa”, Barnabé Lucas Nkomo retrata a “história da penosa trajectória política de um missionário revolucionário, cujo empenho e dedicação à causa da libertação do seu povo foram negados pela memória colectiva da história recente do seu país”. Também natural de Machanga, Uria acabaria, barbaramente, assassinado entre Maio de 1977 e Junho de 1980, no campo de reeducação de M´telela, distrito de Majune, província do Niassa. (por : Armando Nhantumbo)

terça-feira, dezembro 20, 2016

Estado geral da Nação

Resultado de imagem para nyusi estado da nacao«A situação geral da Nação mantém-se firme. A Nação moçambicana é capaz de enfrentar os desafios presente e futuros.»
Filipe Nyusi

Agora segue-se o meu comentário...

Filipe Nyusi conseguiu dar um informe realista e simplificado do Estado geral da Nação moçambicana(19.12.16), mas a sua conclusão admite interpretações ambíguas.
A situação geral da Nação moçambicana NUNCA foi vacilante ou de falta de firmeza, e NUNCA esta Nação foi incapaz de enfrentar os desafios do presente e do futuro. Infelizmente, o parágrafo de fecho do informe do Presidente da República (PR) de Moçambique sobre o estado geral da Nação deixa espaço para aproveitamento político pela oposição ao seu Governo. Com efeito, já se diz, por exemplo, que o "«estado geral da Nação continua firme» na protecção dos bajuladores que ladeiam o PR e o impedem de ver correctamente a situação real do país".
E esta agora? Será que é isso que Filipe Nyusi quis dizer? Será que os assessores do PR não se aperceberam de que aquele último paragrafo do informe sobre o estado geral da Nação admitia interpretações subversivas? O próprio PR não se deu contra de que aquele último parágrafo era ambíguo e abria espaço para aproveitamento político desconstrutivo?
Que tal se o informe terminasse com uma "frase" assim(?):
«Moçambicanas, moçambicanos, compatriotas! O estado geral da nossa Nação, a Nação moçambicana, é caracterizado por vários desafios, incluindo a ausência de paz efectiva (por nos permitirmos conviver com a Renamo teimando em manter-se armada fora da lei),  altos níveis de percepção da corrupção, baixos níveis de produção e de produtividade da nossa economia, baixa qualidade de serviços prestados pelas nossas instituições públicas e privadas, e acentuada queda de princípios e valores morais, entre outros males. Claramente, neste estado não se pode dizer que a nossa Nação está bem. A nossa Nação NÃO está bem. E esta Nação NÃO está bem só por causa de quem está a governar. Esta Nação NÃO está bem por culpa da nossa incapacidade colectiva de viver debaixo da lei.«
«Só onde as pessoas, na sua maioria, aceitam assimilar e defender bons princípios e valores de convivência social como parte integrante da sua cultura, só onde as pessoas aceitam voluntariamente viver debaixo da lei, é que pode a Nação que elas (as pessoas) formam estar bem e prosperar. A nós moçambicanos, como sociedade, como povo, ainda nos falta compreender a importância de vivermos debaixo da lei.«
«É por isso que, por exemplo, aceitamos conviver com a Renamo armada e não vemos mal nisso; aceitamos corromper e sermos corrompidos e não vemos mal nisso; aceitamos viver de mão estendida e não vemos mal nisso; aceitamos a chantagem como forma legítima de fazer política e não vemos mal nisso. É por isso também que a nossa vida colectiva está a ficar cada mais caracterizada por frustrações que nos levam a viver de apontar dedos acusadores uns aos outros. Enfim, é por isso que o nosso progresso está a ser lento e titubeante.«
«Para sairmos desta situação, impõe-se que mudemos de mentalidade. E para que esta mudança que se impõe por si mesma seja pacífica e efectiva, é imperioso que a sua necessidade seja sentida por todos nós. É para fazer sentir esta necessidade que o Governo que eu estou a liderar está, por exemplo, a conversar com a Renamo para o alcance da paz efectiva em Moçambique. A nossa intenção é que este diálogo seja franco, nacional e inclusivo.«
«Recentemente falei com Afonso Dhlakama sobre a necessidade de o diálogo ora em curso ser célere, honesto, franco, inclusivo e fundado na nossa lei mãe, a Constituição da República de Moçambique. É minha convicção que este é o caminho mais apropriado para alcançarmos paz efectiva no nosso País. Continuarei a explorar esta via, a via do diálogo construtivo, fundado na lei que jurei respeitar e fazer respeitar, na busca da paz efectiva para o nosso País. Continuo focado na busca da paz efectiva por entender que só vivendo em paz efectiva é que teremos tempo para pensar nas melhores opções para acelerar o desenvolvimento do nosso País.«
«...«
«Por tudo o atrás dito, e apesar dos esforços que temos estado a empreender para manter Moçambique na rota do progresso, temos que reconhecer que o nosso progresso nesta rota tem sido lento. Não obstante, e medindo pelo que fomos capazes de conseguir realizar no meio de todas as adversidades que marcaram a nossa governação no ano de 2016 prestes a findar, podemos afirmar categoricamente que a Nação moçambicana continua firme na rota do progresso. Esta nossa convicção é sustentada pelo facto de que, apesar de o crescimento da nossa economia ter desacelerado devidos aos múltiplos factores adversos já mencionados atrás, não houve inversão da tendência de crescimento. Para o ano de 2017 prevemos um crescimento da nossa economia maior do que registamos este ano de 2016. Isto é o que significa dizermos que a Nação moçambicana continua firme na rota do progresso: estamos a crescer de forma sistemática, cada vez mais aprendendo dos nossos próprios erros e dos erros dos outros.»

Este talvez fosse uma forma mais feliz de concluir o informe sobre o Estado da Nação moçambicana.
...

Minha opinião!
(Por:Juliao Joao Cumbana in Facebook)

No centro da questão fala-se russo

Resultado de imagem para bandeira russa e americanaA notícia de que a CIA encontrou provas de que “elementos próximos do Governo da Rússia” interferiram nas eleições norte-americanas de 8 de novembro, com o objetivo de impedirem a vitória de Hillary Clinton, veio confundir ainda mais um cenário já de si confuso, que viu Donald Trump ser eleito Presidente com menos 2,8 milhões de votos populares do que a rival democrata.Agora que os rumores de ingerência russa nas eleições ganham contornos reais, o grupo de membros do Colégio Eleitoral — responsável por nomear Trump para a presidência — que promete bloquear essa nomeação está a crescer. Exigem, com o apoio da equipa de Clinton, receber todos os relatórios das secretas sobre as conclusões do inquérito ao caso da interferência russa e já há até quem sugira que a votação marcada para 19 de dezembro, próxima segunda-feira, deve ser adiada.
Ontem, em entrevista à MSNBC, um professor de Harvard que tem estado a fornecer aconselhamento jurídico aos chamados “faithless electors” garantiu que já há pelo menos 30 membros do Colégio filiados ao Partido Republicano que vão votar contra Donald Trump — e que muitos outros garantem, em privado, que também vão invocar objeção de consciência para desrespeitarem o voto dos seus estados a favor de Trump e assim chumbarem a nomeação do candidato do seu partido, que levou a cabo uma das campanhas mais xenófobas e racistas da história moderna dos EUA. Se o número de objetores ascender aos 37, diz Larry Lessig, “vamos assistir a uma dinâmica interessante” que pode resultar no bloqueio da presidência Trump. “Ao questionar os três grupos que apoiam os grandes eleitores republicanos, acreditamos que neste momento há 20 [contra Trump] e algo me diz que o número é mais elevado que isso, talvez mais perto dos 30, mas sinto-me confiante ao falar em pelo menos 20.”
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São precisos 37 para derrubar Trump

Neste momento, apenas um punhado de grandes eleitores do Partido Republicano já garantiram publicamente que não vão dar o seu aval ao Presidente eleito, sob o argumento de que Trump “não tem qualificações” para liderar. Para Lessig, os membros do Colégio têm de “poder exercer o seu julgamento independente não-partidário sobre em quem vão votar” e há “antecedentes” em considerar que estas pessoas são funcionários federais, o que quer dizer que a Constituição lhes garante poderes para votarem contra a decisão da maioria dos eleitores dos seus estados.
O professor de Direito argumenta que o Colégio Eleitoral não foi criado para ser uma mera peça da engrenagem política, mas sim “um travão de emergência no processo de seleção de um Presidente”. Não há registo de algum dia o Colégio ter votado em bloco contra o resultado de uma eleição presidencial na História dos EUA, mas Lessig argumenta que isso pode acontecer este ano.
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“Os grandes eleitores têm a obrigação ética e moral, assim que prestam juramento, a votar [de acordo com o seu estado] a menos que exista uma razão moral preponderante para não votarem dessa forma. O facto de um candidato falhar em estar à altura das qualificações pode ser uma dessas razões”, defende. “É exatamente essa a questão que se levanta nestas eleições, o Colégio Eleitoral foi criado precisamente para estas eleições.”

A matemática depois da ida às urnas aponta a necessidade de pelo menos 37 grandes eleitores do Partido Republicano se alinharem com os colegas democratas para impedirem a nomeação de Trump. Questionado sobre porque é que poderemos assistir a esse cenário inédito de bloqueio de um Presidente eleito, Lessig citou precisamente a questão da ingerência russa no plebiscito (Harry Reid, líder da minoria democrata no Senado, garante que a campanha de Trump estava a par disso).

segunda-feira, dezembro 19, 2016

Como entender o que se disse

Terminou esta semana mais uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI). O chefe da missão emitiu um comunicado. Os resultados não vão ser discutidos pelo Conselho de Administração, deixando nas mãos do chefe da missão a responsabilidade de dar o veredicto. Isto faz com que seja muito importante saber o que diz o seu comunicado, e o como entendê-lo.
Resultado de imagem para fmi moçambiqueA missão do (FMI) emite largos elogios à acção na área monetária. Todos os tépidos ares de graça da economia nos últimos dois-três meses (a ligeira recuperação do saldo da conta corrente externa, do valor do metical, e das reservas internacionais) são associados à contenção monetária iniciada pelo Governador Gove nos finais do ano passado, e recentemente levada ao seu extremo pelo Governador Zandamela. Absolutamente nada é mencionado como tendo sido feito na frente fiscal que tivesse ajudado a economia, na perspectiva do FMI. Antes pelo contrário, a missão do FMI destaca a pressão fiscal exercida pela despesa acrescida com salários e remunerações no sector público. O Governador Zandamela recebeu uma palmadinha no pulso por ter tomado pouca atenção a certas “pontas de iceberg” (riscos) no sistema, e a necessidade de fazer a coisa certa de acordo com a lei e regulamentos. A missão reafirma as revisões em baixa do crescimento económico para 3.4% em 2016, bem como as crescentes pressões in- flacionárias no curto prazo. A missão aprecia positivamente a contratação da auditoria internacional independente às empresas envolvidas no escândalo das dívidas secretas e ilegais e diz que no momento próprio se verá como os seus resultados poderão ser usados para considerar “fortes reformas de governação”. O veredicto veio numa linguagem clara embora inevitavelmente diplomática e tipicamente críptica: “Medidas adicionais de ajustamento de políticas são necessárias para abrir caminho para um programa apoiado pelo Fundo”. Imagino que esta vai passar para a história das relações entre o FMI e Moçambique como mais uma daquelas frases que gelou até a espinha as nossas autoridades. E veio na esteira de um outro aviso que o FMI já havia dado acerca da seriedade da situação. Com efeito, menos de um mês atrás, fechando a reunião do Conselho de Administração que discutiu a “prestação de dados incorrectos por Moçambique” no dia 21 de Novembro o Sr. Tao Zhang, Subdiretor-Geral e Presidente em Exercício do Conselho, declarou que “Devido à inobservância do critério de avaliação contínua do teto à contratação ou garantia de nova dívida externa não concessional no âmbito dos PSIs de 2010–2013 e 2013–2016, o Conselho de Administração decidiu que não pode mais manter uma avaliação positiva do desempenho dos programas no âmbito do PSI.” O FMI dizia assim, e claramente que devido à mentira à volta das dívidas secretas e ilegais, a organização retirava todos os créditos que havia dado à gestão da economia moçambicana desde 2010. Diploma de bom aluno obtido fraudulentamente, retirado! Quais são então as “exigências” do FMI para que o aluno volte a ser considerado bom? Não surpreendentemente, elas se direccionam mais aquilo que até agora me referi várias vezes como o elo mais fraco de todo o sistema de gestão da economia moçambicana, nomeadamente o fiscal. A missão diz que se o governo pretender qualificar-se para o apoio do FMI, doadores e uma negociação bem sucedida com os credores comerciais externos, deve na área fiscal em 2017 implementar medidas para: 1) mais restrição fiscal através da contenção da expansão da folha salarial, e a eliminação gradual dos subsídios gerais aos preços); 2) amortecer o impacto dessas medidas sobre as camadas mais vulneráveis da população, através da protecção de programas sociais críticos, e reforço do sistema de segurança social; 3) limitar os riscos fiscais apresentados por algumas empresas públicas de grande dimensão; e 4) mobilizar receita adicional, através da redução de isenções fiscais, e o fortalecimento da gestão da receita. Na área monetária o fundo recomenda o Banco Central a continuar atento aos riscos, garantir uma provisão de liquidez adequada para a economia, e continuar a melhorar a supervisão e aplicação dos regulamentos prudenciais.

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A mensagem principal é a de que passou a época de ganhar pontos por via de charme e piruetas estatísticas. O que vai contar agora (como deveria ter sido sempre) são resultados reais de adoptar e implementar políticas adequadas. Praticamente tudo o que cá entre nós temos vindo a dizer. Há um verdadeiro ajustamento fiscal que ainda tem que começar e que o governo tem estado a recusar. É um ajustamento fiscal muito forte, mas selectivo e que proteja as camadas mais vulneráveis. É necessário reduzir mais as despesaa com as remunerações e benesses dos funcionários do Estado (casas pagas pelo cidadão para todos e qualquer um que é chefe, carros e senhas de combustível para tudo que é chefezinho, e indo até as benesses dos antigos chefes de Estado e dos deputados da Assembleia da república, e outros dirigentes de um aparelho de Estado que se tornou parasita. É necessário que o dinheiro dos contribuintes pare de servir para alimentar o fausto de Presidentes de Conselhos de Administra- ção e delegado do governo em Empresas Públicas ou com participação do Estado, e que nada fazem senão servir de túnel para drenar recursos públicos para fins obscuros, muitas vezes associados aos interesses políticos que lhes promoveram e protegem. É necessário fechar as fugas ao pagamento de impostos pelas empresas da nomenklatura política e seus associados (e protegidos) nacionais e estrangeiros. É necessário realocar os recursos que o Banco de Moçambique coleta através das suas políticas monetárias draconianas e que transfere para o Estado como lucros e outra parte usa para financiar benesses de seus funcionários e para financiar projectos imobiliários de utilidade duvidosa; esses recursos devem voltar as empresas sobretudo as de pequena e média dimensão, sob a forma de taxas de juros bonificadas, o que serviria também a redistribuição de recursos de bancos quase predatórios que em momentos de crise sempre fizeram lucros, enquanto as empresas trabalham para eles presas em dívidas insustentáveis e encostadas á parede por um ambiente de negócios que lhe é cada vez mais desfavorável. Em resumo, o que a missão do FMI disse já foi dito e explicado cá dentro. Agora esperamos para ver se o peso de ser dito pelo FMI vai levar a acção necessária. (Por Roberto Timbana/economista)