segunda-feira, novembro 20, 2017

Fintou a demissão por 12 horas

Após pressão de seu partido para renunciar à presidência, Robert Mugabe concordou em renunciar e já redigiu sua carta de demissão, informou a CNN nesta segunda-feira (20), citando uma fonte que acompanha as negociações.  Líder do país há 37 anos, ele é o chefe de Estado em actividade mais velho do planeta.De acordo com a rede americana, os generais concordaram com todas as demandas feitas pelo chefe de estado, entre elas a imunidade para ele e sua mulher, Grace. No domingo (19), contrariando as expectativas, o presidente de 93 anos fez um longo discurso na TV estatal ZBC (Zimbabwe Broadcasting Corporation), mas não renunciou. Mugabe foi afastado da liderança de seu partido ZANU-PF neste domingo e ainda recebeu um ultimato: caso não deixe o cargo até o meio-dia desta segunda, os procedimentos para um impeachment serão iniciados. O líder dos veteranos de guerra do Zimbábue, Chris Mutsvangwa, disse à agência Reuters que os planos para o impeachment de Mugabe prosseguirão e que iniciará uma ação judicial para legalizar a ação militar contra Mugabe. A expectativa era de que Mugabe anunciaria sua renúncia no discurso de domingo, que aconteceu depois de uma reunião com integrantes do Exército. O presidente afirmo apenas reconhecer as críticas direcionadas a ele pelo ZANU-PF, pelos militares e pelo público e que a crise será resolvida pacificamente. Mugabe disse ainda que vai presidir o Congresso do partido no mês que vem. "Eu acredito que as questões que foram me trazidas vêm da vontade de garantir a estabilidade do país", disse, reforçando que a lei e a ordem do Zimbábue devem ser preservadas. Ao afastar Mugabe da liderança, o ZANU-PF também anunciou que o novo líder é Emmerson Mnangagwa, ex-vice-presidente do país. Mnangagwa foi demitido por Mugabe há poucos dias. Segundo o ministro de cibersegurança Patrick Chinamasa, Mnangagwa seria indicado pelo ZANU-PF à presidência do Zimbábue.A mulher de Mugabe, Grace, que ambicionava suceder o presidente, também foi expulsa do ZANU-PF.

crise no Zimbábue começou no início da semana passada, quando militares informaram ter começado uma operação contra "criminosos" próximos ao presidente Robert Mugabe, tomando as ruas e assumindo o controle de prédios públicos e da TV estatal. Isso aconteceu uma semana depois da queda do vice-presidente Emmerson Mnangagwa, que começava despontar como possível sucessor de Mugabe (e agora assume seu lugar na liderança do partido). Mnangagwa foi demitido por deslealdade e sua saída foi vista como uma estratégia para ascender a primeira-dama Grace Mugabe ao poder.Mugabe e a esposa chegaram a ficar confinados em sua mansão de luxo, conhecida como "Blue Roof", por imposição dos militares. No sábado, um sobrinho do líder havia dito que ele estava "pronto para morrer pelo que é correcto" e não tinha nenhuma intenção de deixar o poder.

sexta-feira, novembro 03, 2017

Porque comunicar assim?

A resposta a esta pergunta é simples: toda hora, desde que seja necessário. Mas responder assim só não é suficiente pois o orçamento do estado é anual- o que implica planificação prévia; quanto muito, deve submeter-se à Assembleia da República para, em casos de necessidade, aprovar o orçamento rectificativo.
Existe uma actividade que o estado moçambicano continua a ignora-la, que é comunicar melhor. Ora, melhor comunicar não é botar informação em massa; é orientar os cidadãos a compreenderem a racionalidade dos seus actos, justificando e convencendo que eles são necessários, oportunos e as decisões tomadas depois de ponderadas todas as opções.
O que agora se tornou num escândalo é exemplo de que uma mera informação lançada para o ar pode gerar resultados antagónicos aos esperados. Eu até estou convicto de que a publicação dos resultados de adjudicação de empresas para a compra de viaturas não apenas é obrigação prevista na lei como também é um bom exercício do tal e desejado reforço da transparência e prestação de contas. Porém, feito de forma mais infantil possível. Até parecem iniciados. Erro de palmatória, indesculpável, tendo em conta o contexto de austeridade (?) senão mesmo secura inexorável dos recursos do estado.
Resultado de imagem para mercedes-benz s500Escrevo este texto com muito pouco domínio das regras de aquisição do estado moçambicano. Eu próprio sou vítima do sistema de aquisição do estado, lesado múltiplas vezes. Se o levar ao tribunal levantarei um turbilhão que pode atrapalhar o sossego de alguns, pelo que não tenho nenhum interesse de o defender. Todavia, julgo que em momentos como esses existe um aproveitamento que as vezes escapa à razoabilidade. Pode ser bom, sinal de que os cidadãos estão atentos aos seus actos.
Mas olhando atentamente aos anúncios podemos diferenciar dois tipos de adjudicações. O primeiro, refere-se ao concurso de 2015, portanto, há quase três anos! O segundo tipo de adjudicações é directo. Ou seja, decisões tomadas recentemente. As adjudicações directas são pela lei possíveis, observadas as formalidades legais. Mas também o seu abuso pode denotar uma das três coisas ou todas: (1) incompetência na planificação; (2) corrupção e (3) urgência.
De uma ou de outra forma, adjudicações directas pressupõem ou disponibilidade do dinheiro ou dívida para pagamento posterior. Ou seja, alguém que se disponibiliza em entregar o produto/bem/serviço hoje para receber o seu dinheiro posteriormente, que pode ir de seis a três anos ou mais, dependendo da negociação.
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Da mesma forma que pode se dar o caso de o estado levantar milho para salvar zonas afectadas pela estiagem; equipamento hospitalar para responder a emergências como as de Kaphiridzanje ou mesmo emprestar dinheiro para pagar professores. O negócio de combustível é um exemplo disso. 
Resultado de imagem para Ford, Wildtrak 3.2Não é por acaso que a CTA lamenta o tardio pagamento pelo estado, da dívida por si contraída junto do sector privado. Portanto, nem sempre as adjudicações directas pressupõem pronto pagamento. E nem sempre nesses casos é porque é a melhor ou o melhor preço. Pode, mais uma vez, ser o caso de a organização disponibilizar o produto sem se preocupar com o pronto pagamento. Mas aí está, não se sabe nada sobre isso.
O segundo nível de análise é saber como é que o Estado compra bens e serviços. Como, por exemplo, o estado compra uma casa? Uma viatura? Qual é o mandato da Direcção Nacional do Património do Estado? O que ela faz? Quando um funcionário do Estado afecto num ministério e que tem com direito uma viatura de afectação, pede a quem? O que eu quero insinuar com isso é que a Direcção Nacional do Património é quem gere o património do estado. Por exemplo, se os Mercedes-benz ou a alcatifa do Tribunal Supremo forem descontinuados, caberá a essa direcção abater, realocar aos outros departamentos ou outra decisão que se aprouver necessária. Da mesma forma, se um Ministério precisar uma Ford Ranger; ou o Parlamento os seus amados Mercedes-Benz; ou o Conselho de Ministros precisar de outro tipo de viaturas, caberá a esta direcção comprar. Todavia, o dinheiro para a compra de cada viatura será debitado à conta/rubrica de cada requerente.
O que acabei de explicar acima desmonta a analogia feita pela STV, quando comparou por exemplo, o gasto em viaturas com orçamento do INGC ou do Fundo de Combate a Pobreza Urbana. Nominalmente é sim superior ou 20% menos. Todavia, pode até ser que até o tal ING tenha desse mesmo orçamento encomendado através da Direcção Nacional do Património um Ford Range .
Imagem relacionadaA compra de 45 viaturas representa um custo de 118.096.251,14MT aos cofres do Estado
Portanto, mais do que juntar o valor total da encomenda e compará-lo com orçamentos sectoriais, o melhor seria saber quem são os beneficiários daquelas viaturas. E aqui, temos, através do Jornal Canal de Moçambique, algumas respostas. Sei por exemplo que alguns Mercedes-benz são para o Conselho de Ministros; algumas viaturas são para certos departamentos, e por aí fora. Portanto, desagregando o valor total pelos requerentes, poderemos ver que o grande erro foi mesmo a forma como isso foi anunciado, a sensibilidade do momento e acima de tudo, a falta de conhecimento sobre os mecanismos de contratação por parte da maioria dos cidadãos. Mas esse nem pode ser desculpa. Os cidadãos têm o direito de saber e pronto.
Até aqui apenas limitei-me a explicar do que sei. Assim sendo, a informação que temos (anúncios de adjudicação), não nos permite concluir que a despesa feita pelo estado foi a pronto-pagamento. Pode também ser uma dívida. E lembrar que alguns destes concursos datam de 2015. E outras decisões tomadas recentemente. E pode ser que os requerentes, ou seja, as direcções individualmente tenham dinheiro para pagar.
Imagem relacionadaOra uma crítica fecunda deve(ria) ser sobre se um ministro, alguém que se presume vencedor de um salário digno, precisaria de três viaturas (protocolar, de campo e de afectação) quando uma escola secundaria não possui se quer uma dupla cabine das mais reles. Ou, tendo o governo decidido que os ministros não viajariam em classes executivas, porque é que continuam eles viajando nelas até hoje? 
(1 Mercedes-Benz, S500, no valor de 11.429.711,14MT,1 Mercedes-Benz, S400, ao preço de 10.754.280,00MT, e 1 Toyota Land Cruiser 200, VX, Station, de oito lugares, com o custo de 10.745.280,00MT.
20 Mercedes-Benz, modelo C180, e vai pagar 2.290.000,00MT por cada um.
10 Ford, modelo Ranger 3.2, cabine dupla, ao preço de 1.978.000,00MT cada, mais 1 de modelo Wildtrak 3.2, cabine dupla, que custa 2.277.000,00MT.4 Hyundai, modelo Accent 1.6cc, ao preço de 1.905.995,00MT cada e, finalmente, no último lote são 7 Peugeot, modelo 508, com o custo de 1.385.000,00MT por cada viatura).
Ou sobre porquê a opção pelos Mercedes-benz e não por outro tipo de viaturas mais modestas, só para conformar-se com o espírito e a lei, no que tange ao bom uso de recursos públicos e, mais importante ainda, em solidariedade com a situação económica actual.
• A incompetência de uma comunicação eficaz leva a crer que a requisição destas viaturas foi recente ou eventualmente ad-hoc. A Assembleia da República por exemplo, foi logo no início da legislatura (2015). Alguns deputados adquiriam cedo e outros mais tarde sendo os últimos os membros da CPAR.
• Tal como demonstrado em alguns anúncios, outras requisições são ainda de 2015
• As adjudicações recentes PODEM não necessariamente significar pronto-pagamento. Pode se tratar de uma dívida; tal como o Estado se endivida para suprir variadas necessidades.
Mesmo assim, há espaço para uma crítica fecunda, que nos ajude a limar as arestas de um discurso de austeridade que se conforma com a lei e a prática.
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Princípio/provérbio Sena: quando fala para crianças é preciso ser o mais explicito possível para evitar equívocos (PANGA MWANA NDI KUMMALISIRA)
1. Não estou a criticar nem a defender o governo. Estou a partilhar um conjunto de nuances que deve(ria)m ser ponderados tanto na feitura de análises como nas conclusões destas.
2. Concordo com a ideia do dever do estado usar os recursos com parcimónia e responsabilidade.
3. Um dos grandes erros deste acto de comunicar as acções de governo é de assumir que informação por si só pode explicar. É tarefa do governo comunicar para convencer e prestar contas.
4. Todas as consequências nefastas da má interpretação, maledicência, oportunismo politico só podem e devem ser imputáveis ao estado por se furtar a uma das suas obrigações: que é, através da comunicação, prestar contas, engajar cidadãos e informar. (Dr.E.Vaz in facebook)

Roubadores do Estado

A Autoridade Tributaria de Moçambique acaba de descobrir um esquema de corrupção na instituição, que permitiu o desvio de mais de cento e oitenta milhões de meticais, até a última terça-feira.
Falando em conferência de imprensa, em Maputo, o director-geral-adjunto de Impostos, Domingos Muconto, explicou que tal prática, que envolve contabilistas, funcionários de empresas e de algumas instituições bancárias, consiste no desvio de cheques destinados ao pagamento de impostos nas diferentes unidades de cobrança da Autoridade Tributária de Moçambique.
Resultado de imagem para cheques maputo“São situações que vêm sendo realizadas desde 2013. Este grupo criminoso procede à abertura de contas bancárias com nomes ou designações similares às das unidades de cobrança da AT. Por exemplo, descobrimos contas abertas em nome de Unidades de Grandes Consumidores, ao invés de Unidades de Grandes Contribuintes e outras tituladas pela Repartição de Finanças 1.º Bairro, que apesar de serem semelhantes às nossas, na realidade não são”, disse.
Muconto acrescentou que os mesmos cheques são posteriormente descontados nessas mesmas contas domiciliadas em alguns bancos locais, lesando as empresas e o Estado.
“Trata-se de um dinheiro que nunca chega aos cofres do Estado, mas uma vez detectada a fraude a AT tem a prerrogativa de notificar o real contribuinte que, lamentavelmente, está em dívida e que terá que pagá-la com penalizações por incumprimento de prazos”, explicou Domingos Muconto.
A fonte anunciou ainda que a última tentativa foi detectada na terça-feira, tendo sido abortadas tentativas de desvio que ascendiam a 181.8 milhões de meticais.
“Este fenómeno abrange, frequentemente, alguns agentes económicos inscritos na Unidade de Grandes Contribuintes (UCG) de Maputo e são valores bastante significativos”, frisou.

Na ocasião, Muconto alertou aos contribuintes a certificarem se as suas contribuições estão, efectivamente, a ser feitas ao Estado.

quarta-feira, novembro 01, 2017

Indústria africana do petróleo e do gás

Imagem relacionadaA indústria do petróleo e do gás em África continua a enfrentar desafios de mercado resultantes do baixo preço do petróleo, da concorrência pelo crescimento das receitas e do talento local, juntamente com novas expectativas dos investidores e reguladores. "A indústria do petróleo e do gás em África está a sofrer alterações e perturbações significativas. São alterações fundamentais nas estratégias das empresas, nos modelos de negócios e nas formas de trabalhar", afirma Chris Bredenhann, Líder de Consultoria para Petróleo e Gás em África da PwC. O contínuo preço baixo do petróleo foi aceite como a nova realidade na indústria do petróleo e do gás, e as empresas começaram a preparar planos que permitam uma resposta mais ágil às flutuações de preços dos produtos no futuro. Para algumas, isto significa uma diversificação do portfólio, com muitas empresas a ponderarem uma mudança para um conjunto energético que inclua algumas energias renováveis. Apesar dos desafios, existem muitas oportunidades no continente africano. "O momento é oportuno para que as empresas do petróleo e do gás utilizem os avanços na tecnologia como forma de ir ao encontro de alguns dos desafios que devem enfrentar. Em vez de andar sempre atrás do resto do mundo, achamos que a indústria deve 'dar o salto' para estar não apenas imune às perturbações, sendo em vez disso, a sua causa", disse Bredenham. A Análise Petróleo e Gás em África, 2017 da PwC analisa o que ocorreu nos últimos 12 meses na indústria do petróleo e do gás no seio dos maiores mercados e também nos emergentes.
Até ao final de 2016, consta que África terá reservas comprovadas de gás natural de 503,3 triliões de pés cúbicos (TcF), mais de 1% das reservas totais de gás no continente. Cerca de 90% da produção africana de gás continua a ter origem na Argélia, na Nigéria, no Egito e na Líbia, embora a quantidade geral produzida em 2016 tenha baixado em 1,1% para os 208,3bcm. A quota africana na produção mundial de petróleo prosseguiu a tendência de queda dos quatro últimos anos, caindo bruscamente e descendo dos 9,1% da produção mundial no ano passado para os 8,6%.

                                              Os desafios da indústria africana do petróleo e do gás
Resultado de imagem para petroleo e gasOs principais desafios identificados no setor do petróleo e do gás permaneceram inalterados face aos dos anos anteriores, com a incerteza nos quadros regulamentares, a corrupção e a as exigências fiscais a permanecerem nos seis principais desafios nos últimos quatro anos. É de destacar que os custos de financiamento e a volatilidade da moeda estrangeira se tenham tornado desafios mais importantes desde 2015, ano em que se encontravam nos 11º e 10º lugares, respetivamente. "É desanimador que os governos não se adaptem às necessidades e pedidos das empresas do petróleo e do gás, de forma a garantir rigor regulamentar aos intervenientes que procuram investir em negócios no campo dos hidrocarbonetos em diversos países africanos", comentou Bredenhann. Na África do Sul, o quadro regulamentar permanece incerto, tendo a separação do petróleo e do gás da mineração ainda não sido atingida na Lei relativa ao Desenvolvimento de Recursos Minerais e Petrolíferos (MPRDA). Outros mercados chave em África, como a Nigéria e a Tanzânia, estão também a sofrer problemas regulamentares significativos.
A corrupção permaneceu como um dos três principais desafios ao longo dos últimos quatro anos, com a ocorrência de diversos casos em todo o continente. Apesar da existência de programas anticorrupção ao nível governamental e corporativo, a efetividade desses programas é questionável. No contexto de problemas de corrupção, não surpreende que os custos de financiamento tenham subido para terceiro lugar entre os maiores desafios para os intervenientes africanos. É provável que as questões regionais e as incertezas relativamente a uma indústria mais ampla e limitada tenham levado os bancos e outras instituições a recear proporcionar condições de financiamento mais favoráveis.A falta de desenvolvimento de competências continua a ser um problema em África, e está a tornar-se num desafio global em toda a indústria do petróleo e do gás.

                                                 Será que os preços baixos do petróleo vão continuar?
Para além dos desafios destacados pelas empresas, ajustar-se à nova realidade dos preços baixos do petróleo permanece uma preocupação para as empresas. O preço do petróleo tem estado relativamente 'estável' ao longo de 2017. Tendo recuperado desde o ponto mais baixo em janeiro de 2016, tem sido normalmente transacionado no intervalo entre os 50 e os 60 dólares por barril. Quando o índice Brent do petróleo chegou perto dos 60 dólares por barril em setembro de 2017, o mercado começou a questionar se a realidade de preço baixo prolongado teria terminado. A procura por petróleo está a subir e a oferta está a aliviar, sugerindo o início de um processo de reequilíbrio do mercado. No entanto, tal como assistimos muitas vezes nos preços globais do petróleo, nunca nada pode ser dado como certo. As empresas do petróleo e do gás citaram a geopolítica, o fornecimento e a procura como os três principais motivos para o momento atual do preço do petróleo. Olhando em frente, os inquiridos esperam aumentos modestos nos preços ao longo dos próximos dois anos - com 65% e 52% a esperaram que o preço se situe no intervalo entre os 51 e os 60 dólares por barril em 2018 e 2019, respetivamente.

                                                            O contexto cambiante da concorrência
Como resposta a muitos destes desafios, as empresas do petróleo e do gás estão a procurar alterar as suas estratégias e modelos de funcionamento, o que alterou a paisagem da concorrência. As empresas referiram que as maiores alterações previstas ou recentemente experimentadas no contexto da concorrência são geradas pelo crescimento dos combustíveis alternativos, pelo impacto da perturbação causada pela tecnologia e pela necessidade de redução de custos.

                                    Estão as empresas do petróleo e do gás aptas para crescer?
Imagem relacionadaAs empresas do petróleo e do gás referiram o 'pouco investimento nas capacidades de desenvolvimento' como o impedimento mais significativo ao crescimento empresarial. A isso seguiu-se a fraca estratégia e liderança. De acordo com a análise da PwC, as empresas ficam 'Aptas para crescer' realizando três coisas de forma consistente e contínua: concentrando-se em algumas capacidades diferenciadoras, alinhando a sua estrutura de custos a essas capacidades e organizando os seus negócios para o crescimento. De acordo com a Análise de Petróleo e Gás, da PwC, 75% das empresas dizem ter analisado a sua estratégia para África nos últimos três anos, mas também reconhecem a existência de problemas de incoerência e de um problema de execução no funcionamento empresarial do dia-a-dia. A abordagem 'Apta para crescer' da PwC destaca que o investimento em capacidades que permitam à organização criar valor único para os clientes é um elemento chave para o crescimento sustentável. Os inquiridos indicaram que estão a investir no desenvolvimento de novas capacidades ou na melhoria de capacidades já existentes (18%), em conteúdo local e no desenvolvimento de competências (14%), em melhorias em infraestrutura (13%) e no cumprimento de regulamentos (12%) ao longo dos próximos três anos. É de destacar que a importância da gestão de custos enquanto foco estratégico tenha diminuído este ano. Um terço dos inquiridos indicou não ter intenções de reduzir custos. Menos de metade dos inquiridos pretende reduzir custos até 20%.

                                                                           Atingir a sustentabilidade
Imagem relacionadaÉ necessário avaliar estrategicamente o portfólio de atividades das empresas do petróleo e do gás em África, de modo a serem sustentáveis e tendo em vista um ambiente de baixas emissões de carbono. Os resultados da análise indicam que as fusões e aquisições, assim como as parcerias, são fundamentais para o reposicionamento de estratégias e para alcançar o crescimento pretendido. Uma minoria dos inquiridos relacionou a proposta de fusões e aquisições como forma de alcançar o crescimento, com cerca de 30% dos inquiridos a ser alvo de aquisição e cerca de 40% a definirem eles próprios objetivos de aquisição. A maior parte dos inquiridos referiu propostas de parceria, com quase 60% a terem sido abordados ou a abordarem outra entidade para uma possível parceria.
Enquanto algumas empresas do petróleo e do gás continuam a explorar oportunidades de redução de custos e de melhoria da eficiência, está também a começar a ser considerada a forma como se irão colocar à frente da concorrência. Dada a perceção da lenta adoção das soluções digitais na indústria do petróleo e do gás, é surpreendente que quase um quarto das empresas afirme ter implementado alguma forma de solução digital, desde soluções de produção e perfuração até soluções móveis.

                                                                         Equilibrar o conteúdo local
Mais de 25% das empresas do petróleo e do gás afirmou que os projetos tinham sido reagendados ou adiados por políticas locais de conteúdo, e cerca de 15% relocalizaram ou cancelaram projetos em resposta a regulações locais. Cerca de 10% indicaram uma aceleração dos seus projetos. Um terço dos inquiridos acha que há hoje mais empresas locais que podem servir o setor. Menos de um terço reconhece que estão disponíveis competências locais no nível adequado no seu país e 11% afirmou terem surgido novos intervenientes no setor como resultado das regulações. "A indústria do petróleo e do gás em África está repleta de desafios e adversidades complexas, mas com o desafio surge a oportunidade. A oportunidade existe para os intervenientes que estejam dispostos a 'tornar a imaginar o impossível' num futuro que parece muito diferente do nosso presente. "É claro que os intervenientes no setor do petróleo em África devem 'dar o salto' para permanecerem competitivos no futuro da nova energia", concluiu Bredenhann.


JOHANNESBURG, África do Sul, 1 de november 2017
                 Distribuído pela APO Group em nome da PricewaterhouseCoopers LLP (PwC).

sexta-feira, outubro 20, 2017

20.000 USD

A Edição do semanário Canal de Moçambique desta semana (18 de outubro, 2017) traz na manchete uma notícia que me deixa agitado. Não que não tenha sabido antes, mas porque é verdade. Tão verdade que situações similares acontecem em outras empresas públicas. Trata-se de salários galácticos, que confundem a qualquer marciano. Então, cada administrador da Electricidade de Moçambique, Empresa Pública, ganha em média um milhão e duzentos mil meticais, ou seja, cerca de US$20 mil dólares. Nos meus cálculos, estes salários correspondem a quatro vezes ao salário do Presidente da República de Moçambique; oito vezes ao salário de um ministro da República de Moçambique, “n’” vezes ao salário da Presidente da Assembleia da República e respectivos deputados. Sem falar dos demais funcionários públicos como enfermeiros e professores. Isto está longe de uma bonança. É uma escandalosa maldição.
I
Não se trata de negar o direito ao salário aos administradores; aliás, não se trata de negar o direito de salário condigno aos moçambicanos. Trata-se sim de garantir alguma equidade. Não falei da igualdade. Vou tentar explicar a palavra equidade com dois exemplos: imaginem que duas pessoas, uma de estatura alta e outra baixa, compram bilhetes de ingresso de uma partida de futebol. Cada bilhete possui um número específico do assento. Sucede que o homem baixo calha justamente atrás do alto. Consequentemente, o homem alto estará a vedar a visibilidade do homem baixo. AGIR COM EQUIDADE significa trocar os lugares. Assim, o homem baixo passa para frente e o alto para trás para que os dois sejam capazes de ver a partida do futebol. O outro exemplo similar pode ocorrer em espetáculos, onde os baixinhos não podem ver o artista em virtude da sua estatura. Agir com equidade implicaria passar os baixinhos para frente e os altinhos para trás.  A empresa Electricidade de Moçambique não é empresa privada. É tutelada pelo Ministério de Energia e quejando. Ou seja, é um negócio do estado moçambicano. A HCB é negócio do estado moçambicano. A ENH é empresa/negócio moçambicano. A sua função é fazer negócio e ganhar dinheiro para o Estado Moçambicano. Portanto, o que temos é um conjunto de colaboradores tarefados com a missão de fazer negócio do estado. O figurino jurídico não deve perpassar esse ideal.
II
A Empresa Electricidade de Moçambique é uma devedora da HCB no valor que ronda uns 90 milhões de dólares americanos. Um pouco por todo país enfrenta problemas de vária ordem e está atrasada no que tange a electrificação rural. Sem falar da qualidade de energia!  Os administradores e demais funcionários de topo comportam-se como donos de uma empresa atípica, onde os accionistas confundem cinicamente receita com lucro e dividem mensalmente os “lucros” de acordo com as acções de cada um. Essa é uma forma camuflada de corrupção.
III
Os administradores da EDM, EP não são mais importantes que o Presidente da República. Eles não trabalham mais que um ministro; não são a melhor espécie de moçambicanos que os professores, enfermeiros ou guarda-fronteira, que entrega a sua vida em defesa da soberania territorial; os administradores da EDM não são os melhores filhos da pátria que os polícias, soldados ou funcionário público; Secretários-permanentes de vários ministérios ou distritos. Os administradores da EDM, mCel, ENH, INP e tantas outras empresas abastadas confundem a sua missão, ao se atribuírem salários INÍQUOS. Não estão vedados ao direito de ganharem balúrdios. Mas se quiserem que vão trabalhar para empresas privadas ou mesmo que sejam consultores.
IV
Recentemente o PR falou do combate da corrupção. Ora, a existência de “oásis sociais” como essas proporcionam uma corrida desenfreada a tachos, com todas as consequências dai advenientes. A propósito, como é que os ministros que tutelam esses ministérios aceitam salários tão altos assim? Contra que tipo de contrapartidas? Mesmo que as empresas fossem superavitárias, a missão da EDM não é dividir o superavit pelos administradores. A missão é meter dinheiro aos cofres do estado.  O dinheiro que diariamente o alfandegário conta e deposita na conta do estado não é dele nem é graças a ele que os cidadãos e empresários pagam os impostos. O trabalho dele é justamente esse: cobrar taxas. Igualmente, quando países, entidades e pessoas singulares pagam taxas de energia não é porque devemos aos administradores. Os administradores estão a fazer seu trabalho contra o qual devem ser pagos SALÁRIOS QUE A ECONOMIA PODE.  
V
Não há diferença entre a caixeira do Hospital Central, da Morgue de Machipanda ou do Cobrador das Alfândegas senão a susceptibilidade e o risco. Todos, no final do dia, cobram taxas pelos serviços. Similarmente, não há diferença entre o director de uma escola primária, director dos serviços notariais ou mesmo da distribuição da HCB senão o risco de exposição. Todos são funcionários ou agentes do Estado.
VI
A finalizar, os salários e benefícios auferidos pelo senhor Magala e seu grupo são antiéticos a todos títulos. Ofendem a moral pública e desencoraja qualquer tipo de engajamento anticorrupção dos demais. Assemelha-se a um atentado ao pudor público. A diferença entre um carteirista e o CA da EDM está no montante do saque. Exorto as entidades competentes para porem freio a este escândalo, aproveitando a revisão da lei de empresas públicas para parar com isso. Afinal, o que eles fazem de tão especial por cada dia do seu trabalho? Inventam o quê? São génios de onde? Nem a pessoa que inventou a penicilina ganhou tanto dinheiro assim por mês!
Vamos caminhar juntos. O país é pobre, acreditem.

(Dr.Egidio Vaz in facebook)

Assassinos económicos !!!

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Em Agosto do ano em curso, o Centro de Integridade Pública (CIP) denunciou más práticas no sector do turismo em Vilankulo, na província de Inhambane. De acordo com esta instituição de pesquisa, os empresários deste sector são implicados em esquemas onde pontificam a empresa de construção SHM e os complexos turísticos Águia Negra e Pescador. O CIP revelou que o sector contribui com apenas cinco porcento do total das receitas fiscais da província, principalmente, pelo facto de parte importante dos pagamentos pelos serviços serem efectuados fora do país. Quase dois meses depois, o empresário e operador turístico do distrito de Vilankulo, Yassin Amuji, vem a público reforçar estas denúncias, bem como acrescentar que naquele ponto do País há estâncias que foram construídas para depois serem completamente abandonadas. Esta prática leva Amuji a duvidar se o interesse destes investidores é dinamizar o sector ou simplesmente usar o turismo para o branqueamento de capitais. Outra hipótese levantada por Yassin Amuji é a possibilidade destes investidores pretenderem adormecer o sector do turismo em Vilankulo.
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“Não podemos excluir a possibilidade da penetração de assassinos económicos no nosso país. Ou seja, de pessoas que se fazem passar por investidores enquanto o seu real objectivo é adormecer o sector em benefício dos concorrentes a nível regional”, afirmou. Para o empresário, da mesma forma que Vilankulo foi considerado uma zona especial para o investimento no sector do turismo, pode haver quem esteja a procurar inviabilizar o crescimento o sector. Ainda de acordo com Amuji, nos últimos 17 anos, para além de não ter atingido o boom necessário, o sector naquele distrito ficou estagnado. Existem estâncias que parecem abandonadas e há crimes ambientais flagrantes como é o caso de um complexo construído à beira mar cujas águas das piscinas são drenadas para o mar. Trata-se de um local onde, curiosamente, as populações locais apanham amêijoas para o consumo e comercialização.
Imagem relacionadaPerante este cenário de desordem, Yassin Amuji lamenta o silêncio quase que ensurdecedor das autoridades locais. Nem o município, muito menos as autoridades ambientais aparecem para condenar e impor ordem no sector. Para este operador turístico é incompreensível que ate hoje haja lodges com contas bancárias fora do país. “Penso que aproximadamente 90% dos operadores turísticos de Vilankulo tem contas no exterior. Ou seja, os pagamentos são feitos no exterior o que facilita a fuga ao fisco”, acrescentou. Para Amuji, as autoridades devem proibir que as estancias tenham contas no exterior, bem como a hospedagem de páginas de internet foram do país.
“Veja que na Ponta de Ouro, província de Maputo, muitas estâncias tem as suas páginas de internet hospedadas na África do Sul e os contactos que lá constam são de operadoras sul-africanas. A mão dura do Estado deve pesar sobre estas práticas. Há muitas instituições ligadas ao turismo
que deviam agir mas não o fazem”, concluiu.

Elísio Muchanga

sexta-feira, outubro 06, 2017

Um dos pouquíssimos exemplos de meritocracia

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Nascido a 2 de Junho de 1973 no distrito de Monapo, Mahamudo Amurane muito cedo perdeu o seu pai, facto que teve implicações não só na vida pessoal, mas também nos estudos. Foi criado pelos irmãos mais velhos, uma vez que a sua progenitora não dispunha de condições financeiras. Concluiu o seu ensino primário na EPC de Marocane, actual Instituto Agrário de Ribáuè, na província de Nampula. Prosseguiu com os estudos no Centro Internato da Missão Católica de Iapala, onde foi acolhido pelos responsáveis da instituição porque não dispunha de meios, uma vez que os familiares viviam na cidade de Nampula. Praticamente desamparado lutou pela vida, ganhando algum dinheiro, o que permitiu concluir a 7a classe. Depois mudou-se para a cidade de Nampula, na boleia de um funcionário da Direcção Provincial de Saúde, o qual se simpatizou com o jovem, pois notou que estava sozinho sem condições financeiras para chegar à capital provincial. Naquele tempo, concluir a 7a classe era uma honra para a família. Mas Amurane não se conformou com isso. Continuou a estudar, desta feita no ensino secundário geral na antiga Escola Secundária 1º de Maio, que funcionava nas actuais instalações da Universidade Católica de Moçambique, em Nampula.
Imagem relacionadaFilho de um responsável de uma mesquita, designado sheik, era natural que ele também fosse da mesma religião. Quase todos os membros da sua família professam o islamismo. Por diversas vezes, Amurane foi abordado por um grupo de homens da religião cristã, os quais o convidaram a converter-se. Na ocasião, recusou e mostrou-se determinado apenas em continuar a estudar. Mais tarde, reflectiu e chegou à conclusão de que se tratava de uma chamada de Deus, razão pela qual se converteu ao cristianismo. A primeira igreja que frequentou foi a Assembleia de Deus. Mais tarde, preferiu a Igreja Católica. Amurane participou num programa de formação de técnicos de controlo de tráfego aéreo. Tendo sido o melhor aluno do grupo dos formandos, beneficiou de outro curso do mesmo ramo na cidade de Maputo. Entretanto, a sua irmã, Adelaide Amurane, que foi ministra para os Assuntos Parlamentares no Governo de Armando Guebuza e actualmente ocupa o cargo de ministra na Presidência para os Assuntos da Casa Civil, aconselhou-o a interromper a carreira, porque não havia nenhuma perspectiva em termos de progressão, tendo-lhe oferecido uma proposta de formação no Brasil por um período de 60 dias em matérias de capacitação de empresários de microempresas em contabilidade, administração e finanças. 
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Terminado o curso, regressou a Moçambique, onde esteve a trabalhar no Gabinete de Promoção de Emprego no Ministério do Trabalho como técnico de treinamento empresarial. Durante sensivelmente três anos foi amealhando algum dinheiro resultante do salário que ganhava. Não tinha despesas, porque morava na casa da sua irmã. Tempos depois, decidiu voltar ao Brasil para concorrer a uma bolsa de estudo oferecida pelo Governo brasileiro apenas com a isenção das propinas. Naquele país, não cruzou os braços, tendo continuado a trabalhar num projecto desempenhando as mesmas funções de técnico de treinamento e auferindo um salário mínimo de 300 dólares norte-americanos. O dinheiro era, ainda, insuficiente e arranjou outras alternativas de sobrevivência. Trabalhou em restaurantes e bares. Com muito sacrifício, conquistou a simpatia de alguns brasileiros, tendo obtido emprego em duas instituições, sendo o Banco Brasileiro como estagiário durante a noite e o Instituto de Previdência de Servidores Públicos.
Imagem relacionadaDepois dos estudos, teve muitas ofertas de trabalho naquele país latino-americano. Contudo, mostrou-se determinado a regressar a Moçambique, porque a sua formação envolveu muito sacrifício e precisava de voltar à sua terra. “Moçambique precisava mais de mim do que o Brasil”, confessou ao @Verdade pouco depois das eleições de 2013. Há quem diga que Deus o terá castigado, porque depois de recusar as ofertas no Brasil percorreu toda a cidade de Maputo de lés a lés à procura de emprego. Mais tarde, arranjou um emprego na Medis Famaceutica Limitada como coordenador administrativo e financeiro. Foi aí onde tomou a iniciativa de ter a sua própria farmácia, porque descobriu que o negócio de medicamentos gerava muito dinheiro. Além disso, não estava satisfeito com as suas funções, pois sentia-se pouco valorizado e a rotina do trabalho era estática. O seu trabalho limitava-se a controlar o armazém, incluindo todo o processo de vendas. Em 2000, abandonou o seu posto de trabalho e foi leccionar no Instituto Médio da Administração Pública em Maputo. No ano seguinte, começou a trabalhar como docente do Instituto Politécnico Universitário, na cidade de Quelimane, onde assinou outro contrato de trabalho como assessor da administração e gestão na Direcção Provincial de Saúde da Zambézia, através do Fundo Europeu para o Desenvolvimento. 
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Em 2003, conseguiu uma vaga como docente na Universidade Mussa Bin Bique no período pós-laboral. Durante o dia, desempenhava as funções de assessor de administração e gestão na Direcção Provincial de Saúde de Nampula. No ano seguinte, recebe um convite para assessorar a Direcção Provincial de Saúde de Cabo Delgado na área de administração e gestão.O contrato foi celebrado a curto prazo, tendo regressado a Nampula, onde continuou a dar aulas em gestão de projectos na Universidade Mussa Bin Bique. Já em 2006, recebeu uma proposta para o cargo de oficial de programas de Educação num projecto de uma ONG espanhola que, na altura, desenvolvia as suas actividades na província de Niassa. Há quem diga que Amurane foi um profissional (in)grato, mas a sua vontade foi sempre a de trabalhar assumindo cargos com funções dinâmicas.
Por isso, em 2007 integrou a equipa de trabalho da GIZ Pro Educação como assessor financeiro na província de Sofala. Em 2012, regressa à terra dos macuas para assumir as funções de consultor financeiro da UNICEF.Antes de ser eleito edil da chamada capital Norte, a 1 de Dezembro de 2013, trabalhava por conta própria num estabelecimento comercial denominado Farmácia Amurane, especializado na venda de produtos farmacêuticos e cosméticos, local onde sofreu o atentado.
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Resultado de imagem para mahamudo amuraneProcurando fazer jus a sua promessa, de ser um edil que ia imprimir uma nova dinâmica na governação da cidade de Nampula, e acreditando que “através do trabalho é possível mostrar que as coisas podem ser feitas de forma diferente e produzir resultados com efeitos de desenvolvimento” revelou em 2013.Contudo não se sujeitou aos caprichos do partido que o elegeu e em Agosto passado anunciou a sua desfiliação do terceiro maior partido do nosso País.  “Fui convencido para vir gerir o município e vou mostrar aos moçambicanos como são geridos os fundos do erário e o exemplo de boas práticas de gestão municipal. Vou continuar até ao fim do meu mandato, não estou aqui para defender interesses partidário ou de singulares, mas de todos moçambicanos", afirmou na altura.
Resultado de imagem para mahamudo amurane“A paz que hoje celebramos reveste-nos de esperanças (...), se todos nós nos apropriarmos da cultura da paz no convívio social e privilegiarmos sempre o diálogo na solução dos nossos problemas”, foram as última palavras em público por ocasião do Dia da Paz em Moçambique.

O edil, que participou nas cerimónias de celebração dos 25 anos do Acordo de Paz na praça dos heróis na cidade de Nampula, terá dispensado a sua segurança pessoal e dirigido-se à sua residência particular, no bairro de Namutequeliua, na zona conhecida por “quatro caminhos”, onde funciona uma Farmácia de que é proprietário.
Imagem relacionadaTestemunhas ouvidas pela Polícia da República de Moçambique(PRM) relataram que foram feitos três disparos, de uma arma de fogo do tipo pistola, “dois dos disparos atingiram a zona do tórax e uma das munições passou pela lateral e quando chegou ao hospital foi declarado óbito” precisou Inácio Dina, o porta-voz da corporação, à Televisão de Moçambique.Segundo o vereador de Mercados e Feiras no município de Nampula, Saide Ali, que acompanhava Amurane na altura do atentado o atirador, um indivíduo alto e escuro, chegou numa viatura ligeira, cerca das 18 horas, aproximou-se do edil que estava defronte da sua Farmácia em conversa com ele e alvejou-o.Mahamudo Amurane  deixa viúva e três filhos.

segunda-feira, outubro 02, 2017

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Num país normal devia ser normal posicionar-se criticamente sem ter de pedir desculpas a ninguém. O nosso país, infelizmente, não é normal. Há uma resistência à crítica que filtra o que se diz da pior maneira possível. Se você é da Frelimo e o seu partido é criticado, você faz da pessoa que critica o verdadeiro problema e chama-o de invejoso. Se você não é da Frelimo e os outros são criticados, você faz da pessoa que critica o verdadeiro problema e chama-o de lambe-botas e intelectual a soldo da Frelimo. Cansa, mas é o país que somos.

Nos últimos tempos tenho vindo a criticar algumas coisas na Frelimo e, em especial, na postura do seu chefe que tem sido tudo menos feliz e inspiradora de confiança no futuro. Não há nada de novo nessa minha postura. Mesmo o inimigo público número 1 do país, de quem me confessei fã, nunca escapou às minhas críticas. Sempre critiquei o seu discurso contra a pobreza; critiquei a prerrogativa que ele manteve de intervir nas universidades públicas que, no caso da UEM, levaram à reitoria dessa Universidade um indivíduo que foi destruir uma boa parte do que os seus predecessores tinham construído; sempre critiquei o esbanjamento de recursos públicos que as suas presidências abertas representaram e também critiquei a maneira como ele se propôs resolver o problema da instabilidade político-militar com amnistias que recompensaram o desprezo pela vida humana e pela constituição do Estado.

Ao contrário de muita gente que aparentemente critica por não gostar de fulano ou beltrano, ou deste ou daquele partido, eu critico com base em princípios políticos que considero importantes para a minha avaliação da situação do país. Não passo a vida apenas a distribuir “likes” aos “posts” que falam bem do partido ou dos políticos com os quais simpatizo, nem ando a compartilhar apenas textos daqueles que falam mal dos partidos e políticos com os quais não simpatizo. A crítica baseada em princípios constitui o ponto central da minha abordagem do político e disso não vou abdicar por muito que isso incomode as ovelhas disfarçadas de intelectuais que andam pelo facebook a envenenar o ambiente de debate. E, modéstia a parte, enquanto o tipo de postura que procuro manter na minha abordagem das coisas da nossa terra for coisa de minoria duvido que Moz avance à medida do seu potencial. De cada vez que aparece alguém aqui no meu mural a colocar o seu “like” a um “post” que critica a Frelimo e que essa pessoa o interpreta como “falar mal da Frelimo” porque é isso que essa pessoa sabe fazer; e de cada vez que alguém se exalta com a crítica porque essa mesma pessoa interpreta a crítica como “falar mal da Frelimo” simplesmente porque essa pessoa acha que só se deve falar mal dos outros, fico mais desiludido ainda com a qualidade das nossas abordagens.

O maior e mais importante partido do país, aquele que reúne talvez o maior número das melhores cabeças da nossa terra, realizou uma das maiores farsas políticas de que há memória no país a qual chamou de Congresso. Persistiu na confusão entre partido e estado – uma das razões por detrás da vulnerabilidade do Governo à chantagem da Renamo – reduziu a unidade à unanimidade, continuou a preferir slógans vazios à reflexão estratégica profunda e intronizou a aclamação no lugar do debate crítico, honesto e reflectido dos assuntos. Como nos velhos tempos da Frelimo gloriosa transformou-se o Congresso num momento de festa que celebrou a complacência, estimulou o oportunismo como qualidade importante para se ser membro e relegou o país à condição de apêndice da vontade de indivíduos ruidosos, disciplinados e dóceis. Confundiu a capacidade de cumprir com uma boa parte dos seus estatutos com “democracia interna” e contentou-se com gestos como manifestação de vontade política.

Seis pessoas salvaram a honra da Frelimo neste Congresso. Os cinco que votaram em branco e o que teve voto nulo no plebiscito que se fez para a presidência do partido – e que as ovelhas ruidosas insistem em chamar de “eleição”. Como se pode ver, muito pouco para inspirar confiança. É claro que não sei quais foram as motivações destas pessoas, se calhar nem perceberam o que tinham sido chamadas a fazer. Mas esses seis votos deviam envergonhar a todas as pessoas de bem que militam no partido, têm dúvidas em relação à maneira como as coisas são feitas, têm ideias alternativas, mas por excesso de fidelidade, ou falta de coragem, preferiram trocar a sua consciência e juntar o seu “sim” à manada. Os quase 100% que o presidente obteve não documentam a coesão da Frelimo. Não podem. Documentam uma unanimidade doentia que só pode fazer mal ao país. Documentam uma estrutura interna rígida que é hostil à reflexão crítica. Todo o resultado que vai para além dos 80% - e estou a ser generoso – revela um partido com pouca democracia interna, com pouco sentido crítico e com pouca coragem.

Este Congresso incomoda-me por duas razões. A primeira, e principal, é que revelou que o partido mais importante do país, aquele que tem o mandato para governar, não só não faz a minima ideia dos problemas do país como também não tem imaginação suficiente para se pôr à procura dessas ideias. Desde o discurso de abertura – um desastre autêntico – até ao programa – uma afronta à inteligência dos moçambicanos – o nível foi consistentemente baixo. O lema “unidade, paz e desenvolvimento” não podia ter sido mais inócuo. Ficou pouco claro para mim se é o instrumento da Frelimo para fazer um Moçambique melhor, ou se o Moçambique melhor é aquele que assenta nessas três coisas. Sabendo das grandes cabeças que a Frelimo tem no seu seio, fico sinceramente atónito que as coisas tenham ficado por aqui. Suponho que seja a “democracia interna” em acção...

A segunda razão tem a ver com um “déjà vu”. Lembra muito o segundo mandato de Guebuza quando o “poder da Frelimo” apertou o cerco ao presidente usando o triunfalismo típico de sistemas autoritários para promover uma imagem de si e do país que era apenas função do oportunismo de alguns. A história repete-se. Está-se a transformar Nyusi num indivíduo infalível e todo-poderoso. E o pior é que ele também começa a acreditar nisso. Daí a pensar que os assuntos do país sejam melhor discutidos por um grupinho de pessoas à revelia não só do público como também do seu próprio partido é apenas um passo. Desse passo a ter um contexto político em que decisões importantes são tomadas sem respeito ao conselho técnico – porque se este for contrário vai ser visto como afronta, insubordinação ou simplesmente contestação do partido – não há uma grande distância. Olá dívidas ocultas...

A Frelimo é um grande partido, mas é cada vez mais vítima da sua própria complacência. Tem muita gente no seu seio que se comporta como a torcida duma equipa de futebol que por ter mais meios financeiros domina o campeonato nacional. Confunde vantagem estrutural com capacidade. Eu sou apenas simpatizante, por isso estou-me nas tintas para a sua sorte. Mas tratando-se do partido que domina os destinos do país, preocupa-me esta complacência. Alguém dentro da Frelimo tem que ter a coragem de bater com o punho na mesa e despertar os outros da sua complacência letárgica. Isso passa por reflectir seriamente sobre três desafios fundamentais.

Primeiro, política não se faz ao nível da solução de problemas circunstanciais. Faz-se ao nível da identificação de problemas estruturais que estão na origem de todo um conjunto de problemas circunstanciais. Mesmo que a pseudo-intelectualidade nacional fique feliz da vida quando se declara a corrupção como principal problema, ela não é. O problema é a intransparência institucional para a qual a confusão entre partido e estado contribui. O melhor documento de compromisso com o combate à corrupção teria sido um debate sério sobre como o partido pretende abordar o problema da intransparência institucional.

Segundo, e ao contrário do que muitos pensam, o problema da Frelimo não é ter muitos bajuladores no seu seio. O problema é de se atribuir mais importância à lealdade/fidelidade ao partido do que à reflexão crítica. Quando um presidente por enquanto sem obra visível é confirmado no cargo com percentagens norte-coreanas é mais do que certo que uma boa percentagem dos delegados não está a ser honesta consigo própria e com a sua consciência. Unanimidade não é coesão. É conformismo e seguidismo.

Terceiro, o autismo partidário que leva muitos militantes da Frelimo a partirem do princípio de que enquanto a Frelimo estiver bem o país também está bem compromete o partido com uma representação surreal do país. Uma representação nesses moldes nunca vai ser uma boa base para a formulação de políticas coerentese exequíveis.


É muito deprimente que possivelmente só seis delegados tenham visto que estavam no filme errado. E reagido. Unanimidade, harmonia e litanias é coisa de seitas religiosas, não dum partido político. O país ficou órfão na Matola. (Por Dr.Elisio Macamo (sociologoin facebook)

sexta-feira, setembro 29, 2017

MDM: democratização exige-se

Manuel Araújo, Presidente do Conselho Municipal de Quelimane.
Está disponível para recandidatar-se?
Isso não depende de mim. Depende dos munícipes de Quelimane. Se disserem avança, irei me recandidatar, para além de que estou disponível para mais um mandato porque há necessidade de terminar o trabalho que comecei. É que, neste momento, se vier outra pessoa, há sérios riscos de Quelimane voltar ao buraco onde esteve durante 40 anos e isso iria doer-me bastante. Porém, se o desejo for contrário, também vou aceitar, porque não posso recusar o pedido do meu povo.
Se avançar para a recandidatura será pelo MDM?
Até ao momento não vejo razões para não concorrer pelo MDM. Já recebi convites de outros partidos, mas neste momento sou do MDM e é pelo MDM que vou concorrer.
Pode citar nomes desses partidos?
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Não interessa mencionar, mas os partidos que têm domínio do espaço político nacional são sobejamente conhecidos.
Está a falar da Renamo?
Não falei de partido, mas de partidos e não vou mencionar nomes.
Como irá reagir, caso o partido opte por um outro candidato?
Desobedecer a vontade dos munícipes seria um grande erro do partido, porque isso seria um sinal de que os órgãos do partido desprezam as bases, não escutam a base. Qualquer órgão que não escuta a vontade da base é um órgão ilegítimo e não deve ser obedecido.
Em Dezembro, teremos o II Congresso do MDM. O que espera que esta magna reunião traga de mais-valia para o partido?
Espero maior democratização interna do partido. O MDM precisa de se democratizar mais ao nível interno e espero que isso se materialize neste Congresso.
E se o teu desejo falhar?
Se falhar, será uma grande frustração para mim, para os restantes membros e para o povo moçambicano, isso porque o povo depositou muita esperança no MDM como uma possível alternativa à eterna colonização da Frelimo.
Se essa democratização interna não se materializar, aventa a possibilidade deixar o partido?
Não sou pessoa de abandonar o barco no meio do caminho. Luto pela defesa das minhas ideias. Desistir é arma predilecta dos fracos. Apesar de todas as fragilidades que ele exibe, o general Alberto Chipande me ensinou alguma coisa. Na Frelimo, o general Chipande engoliu sapos desde 1962 até hoje, resistie acabou vencendo. Se o general Chipande tivesse desistido da luta, Filipe Nyusi não seria Presidente de Moçambique. Portanto, há que aprender alguma coisa desse exemplo de resistência e perseverança.É preciso saber esperar, é preciso saber lutar, não limitar a sua visão a resultados imediatos, mas a longo prazo.
Como é que analisa a crise entre a direcção do MDM e o edil de Nampula?
A minha posição é do domínio da direcção do partido. Manifestei o meu ponto de vista através de uma carta que fiz ao presidente do partido, com o conhecimento da Comissão Política.
O que diz a carta?
Manifestei a minha indignação com a forma como o partido geriu a questão do conflito. Disse ao presidente do partido e aos membros da Comissão Política que me distanciava da estratégia do partido em relação à gestão do conflito de Nampula. Acho que o partido teria gerido aquele assunto de outra maneira.
Qual seria a melhor estratégia de gestão na sua óptica?
Primeiro, é importante que o MDM tivesse um espaço de interacção dos quatro edis. Um meio em que os quatro edis se reunissem regularmente. Esse espaço não existe dentro partido.É esse espaço que nos permitiria discutir muitos assuntos de ordem interna e evitar que as nossas questões ou inquietações furassem paredes. No caso de Nampula, houve erros de ambas as partes e a consequência foi aquilo que o povo assistiu. Se tivesse havido uma boa gestão, sobretudo da direcção do partido, não teríamos chegado àqueles níveis. Numa organização, os conflitos são coisas normais, fazem parte do crescimento, agora, a forma como esses conflitos são geridos é que marca a diferença.
Resultado de imagem para manuel araujo e amuraneExplique-se melhor senhor presidente. Qual é que seria a melhor forma de gerir esse conflito?
O diálogo. É o diálogo que nos permite prever, prevenir, gerir e resolver conflitos. Se numa organização falta espírito de diálogo, os conflitos serão regulares e o fim será desastroso para as partes.
Ao pronunciar-se sobre a crise, o edil de Nampula relatou uma situação que também aconteceu com o senhor num passado não distante. Estou a falar de uma espécie de linchamento público por parte da direcção do partido. Como é que geriu a situação.
Maturidade.
De quem?
Da minha parte.
Quer dizer que o edil de Nampula é um principiante?
O que eu disse é que se não fosse maduro, Quelimane estaria na mesma situação
de Nampula.
O edil de Nampula disse ainda que alguns membros da direcção do MDM queriam aproveitar-se do município de Nampula para proveitos pessoais, mas ele recusou. Aconteceu consigo também?
Isso acontece em qualquer organização e não apenas com a direcção do MDM. Isso acontece na Frelimo e na Renamo, no nosso sistema político os partidos não têm meios de sobrevivência e a espectativa é que os membrosque estão nos órgãos de direcção da administração pública sustentem a sobrevivência dos partidos.
Como é que geriu?
Mandei-os passear...
No início caracterizou as divergências entre o edil de Nampula e a direcção do MDM como sinal de crescimento do partido. Ao que tudo indica, estamos perante uma grave crise interna que poderá redundar numa cisão. Que lhe parece essa leitura?
Resultado de imagem para manuel araujo e amuraneO MDM não está dividido. Vai às eleições autárquicas com uma dissidência.Contudo, não podemos deixar de frisar que qualquer dissidência fragiliza, a união é que faz a força. Continuoa ver esta situação como própria de crescimento.
Para além da dissidência de Amurane, a Renamo aposta em concorrer nas próximas autárquicas. A presença do MDM em Nampula não estará ameaçada?
O MDM já existia antes de Nampula se libertar da colonização frelimista. Isso foi graças ao MDM. Portando, manter Nampula era uma mais-valia para o partido, mas perder não pode ser visto como o fim do MDM.
O presidente do município de Nampula acusou-o de cobardia, aparentemente por assumir uma postura mais defensiva em relação à direcção do MDM. Que comentário lhe merece
esse adjectivo?
Achei aquilo normal. Sou uma pessoa madura. A minha educação, a minha forma de estar e o meu ser não me permite concentrar nesses aspectos.A minha experiência de vida permitiu-me aprender a aturar malucos, loucos, intelectuais e filósofos. Isso me permite relacionar-me com todos.
Onde é que coloca Amurane nesse grupo?
Eu compreendo que o edil de Nampula foi imaturo. Ele está a fazer política há três anos e eu faço política há mais de 22 anos. Portanto, mesmo que não concorde, respeito a opinião dele.
O edil de Nampula caracterizou o líder do MDM como ditador. Acha que o partido é dirigido de forma autoritária?
A opinião é dele. Aliás, a nossa Constituição abre espaço para cada moçambicano dizer aquilo que pensa e o edil de Nampula não podia ser excepção. Agora, uma coisa é certa, precisamos de aprofundar a democracia no nosso partido.
Como é que avalia o encontro Nyusi-Dhlakama? Acha que o actual processo negocial vai colocar termo definitivo às crises políticas cíclicas que o país tem vindo a viver?
Estou muito feliz com os últimos desenvolvimentos. Tive a oportunidade de falar com os dois líderes e congratulei/os pelas conquistas.Agora, é importante termos na mente
que esta não é uma paz segura, porque não tem bases sólidas. Precisámos de uma paz transparente e conclusiva, visto que a paz não é só ausência de guerra. Por várias vezes, tivemos o calar das armas, mas não tivemos paz, porque faltou reconciliação entre os moçambicanos. A reconciliação passa por cada moçambicano aceitar o pensamento do outro. Todos os moçambicanos são iguais.
A relação institucional entre os edis da oposição e os governadores da Frelimo foi sempre problemática. Como está a sua relação com o governador Abdul Razak?
Imagem relacionadaAbdul Razak é uma figura que respeito bastante, foi uma pessoa que quando chegou, tinha alto sentido de Estado, mas mudou de postura. Isso porque foi isolado dentro do partido dele. Na última reunião da Frelimo na Zambézia, ele concorreu para o Comité Central, mas teve de retirar a sua candidatura, porque não tinha apoio. Há um conflito entre o governador e o primeiro secretário da Frelimo na Zambézia, há uma crise interna dentro da Frelimo e uma das vítimas é o governador. Abdul Razak está a ser sacrificado, porque tem sentido de Estado, tinha boas relações com Manuel de Araújo. Ademais, o primeiro secretário da Frelimo na Zambézia esperava mordomias de Estado por parte do governo da Zambézia. Abdul Razak está isolado dentro da Frelimo na Zambézia e quase que não manda. Não tem nenhum poder...quem manda é o primeiro secretário e os seus pupilos que estão no governo provincial. Eu não me entendia com os anteriores governadores, porque não tinham postura de Estado. Tinham postura partidária. O actual governador tinha postura de Estado e é por isso que me entendia com ele, mas isso lhe custou isolamento. Para salvar a sua pele, está a distanciar/se de Araújo. Por exemplo, pela primeira vez, Abdul Razak não participou nas festividades dos 75 anos da cidade de Quelimane, não recebeu os embaixadores que foram assistir ao dia da cidade. Isso não era comum da parte de Abdul Razak.
O primeiro secretário da Frelimo na Zambézia disse recentemente que Manuel de Araújo estava a trazer colonos de volta a Quelimane. Qual é o seu comentário?
Aquele indivíduo é ignorante. O meu pai ensinou-me a não responder a ignorantes. Ademais, a

ignorância é uma doença e todo o ignorante deve ir ao hospital para se curar. O que aconselho àquele senhor é ir à escola, porque ele não estudou. Por vezes, não percebo como é que um partido com tantos quadros de qualidade admite ter um primeiro secretário ignorante numa província tão estratégica como Zambézia.